sexta-feira, outubro 23, 2015

13 perguntas sobre o cérebro que a ciência já respondeu

Saulo Pereira Guimarães 
EXAME.com 

Artem Chernyshevych / SXC

São Paulo - O que é o cérebro? O que ele faz? Qual é sua aparência e quando ele começa a surgir? A ciência já tem respostas para essa e outras perguntas. Sobre o tema, EXAME.com conversou com Luís Otávio Sales Ferreira Caboclo, médico ligado à Academia Brasileira de Neurologia. Veja o que ele revelou sobre o órgão.

O que faz o cérebro?

Pensar, falar, lembrar: tudo isso depende do cérebro. Ele controla todos os nossos atos, voluntários ou não. De acordo com Caboclo, o órgão é responsável por processar as informações recebidas por meio de nossos sentidos e controlar o funcionamento das outras partes do corpo - como pulmões e coração.

Como é o cérebro?

Segundo Caboclo, parece uma noz. É cheio de giros e sulcos em sua superfície. "A consistência é relativamente macia", diz o médico. Segundo ele, o cérebro de uma pessoa de 70 quilos pesa aproximadamente 1,5 quilo.

Quando surge o cérebro?

Seu querido cérebro começou a ser formado nas suas primeiras semanas de gestação. De acordo com Caboclo, o órgão começa a se desenvolver nessa época e continua fazendo isso por toda a gravidez.

O cérebro já nasce pronto?

Não. Segundo Caboclo, a formação das sinapses (conexões entre os neurônios) continua por toda infância e começo da adolescência. E há partes que demoram a ficar prontas. "Em algumas regiões do cérebro (como nos hipocampos, que desempenham funções importantes de memória), ocorre nascimento de novos neurônios mesmo em adultos", afirma o médico.

Tamanho é documento?

Quando o assunto é cérebro, essa regra não vale. Segundo Caboclo, não há nada que prove que o tamanho do cérebro de alguém é diretamente proporcional à sua capacidade de raciocínio ou qualquer outro atributo.

Do que é feito o cérebro? 


Grande parte do seu cérebro é composta de neurônios. De acordo com Caboclo, essas células são responsáveis pelas funções mais importantes do sistema nervoso. Mas há outros tipos de célula no cérebro que participam de processos metabólicos e de nutrição – além de serem responsáveis por manter a estrutura do órgão.

O número de neurônios influencia?

Esqueça aquela história de Tico e Teco. Até porque, segundo Caboclo, pessoas que nascem com cérebros normais têm o mesmo número de neurônios. Além disso, o médico explica que não parece haver qualquer relação entre o número de neurônios e o funcionamento do cérebro. Entretanto, ele lembra que algumas doenças provocam a morte dessas células - o que resulta na perda de funções específicas dependendo da área afetada e do grau de perda. 

Dá para queimar os neurônios?

Sim. Caboclo afirma que a perda de neurônios (ou morte neuronal) pode ter várias causas. "Dentre elas, o uso abusivo de álcool ou de outras drogas", alerta o médico.

Como treinar seu cérebro?

"Qualquer atividade, quando repetida muitas vezes, tem o potencial de tornar o cérebro mais eficiente no desempenho dessa atividade específica", afirma Caboclo. Ele cita o exemplo de um estudo com violinistas que constatou aumento na área do cérebro deles responsável pela motricidade dos dedos da mão esquerda, que é a mais exigida para tocar o instrumento em músicos destros.

Só usamos 10% mesmo?

Raul Seixas estava errado: não usamos só 10% de nossa cabeça animal. "Na verdade, não é possível determinar de forma apropriada qual a porcentagem da capacidade do cérebro que está sendo usada num determinado momento. Mesmo porque não é sequer possível determinar qual seria a capacidade 100%", explica ele. Mito!

Que tipos de doença afetam o cérebro?


Vários. Segundo Caboclo, problemas genéticos, degenerativos, vasculares, inflamatórios, infecciosos, tumorais, traumáticos, metabólicos e nutricionais podem afetar o cérebro. Além deles, há ainda as doenças causadas por drogas ou toxinas. E o tratamento para cada uma delas depende diretamente do tipo e da causa.

O que é a morte cerebral?

Você já deve ter ouvido falar nela, então é bom saber o que é. Segundo Caboclo, a morte cerebral (ou morte encefálica, que é o termo mais correto) "consiste na perda de todas as funções do encéfalo, ou seja, do cérebro propriamente dito". Basicamente, a pessoa perde a capacidade de se relacionar com o mundo à sua volta. Bem tenso.

Existe transplante de cérebro?

"Não existe e nunca existirá!", afirma Caboclo. Ele explica que um transplante desse tipo é impossível em função da complexidade das conexões nervosas. E mesmo que fosse possível, transplantar seu cérebro para outra pessoa seria como colocar você em outro corpo. Topa?




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